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31 de maio de 2014

A janela de Garcia de Resende

Janela manuelina da Casa de Garcia de Resende - Évora
Fotografia de Fernanda Azougado
"Janela antiga sobre a rua plana...
Ilumina-se o luar com o seu clarão...
Dantes, a descansar de luta insana
Fui, talvez, flor no poético balcão...

Dantes! Da minha glória altiva e ufana,
Talvez...Quem sabe?...Tonto de ilusão,
Meu rude coração de alentejana
Me palpitasse ao luar nesse balcão...

Mística dona, e em outras primaveras,
Em refulgentes horas de outras eras,
Vi passar o cortejo ao sol doirado...

Bandeiras! Pagens! O pendão real
E na tua mão, vermelha, triunfal,
Minha divisa: um coração chagado!...

Florbela Espanca
Charneca em Flor, 1931

27 de maio de 2014

Caminho

"Um caminho" - Fernanda Azougado

"Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com palavras de vento e de pedra, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras".
António Ramos Rosa, "Sobre o Rosto da Terra"

5 de maio de 2014

de.sa.bro.char






...salpicos de sons, espreguiçar de cores ténues, num clic, o adormecer dos candeeiros guardiões da noite. E, aos poucos, a esperança nos sons e nas cores a fervilhar em instantes de um outro ínicio...

29 de abril de 2014

Regresso

A luz dos faróis projecta-se na porta, ao centro do prédio branco, chamando a atenção a barra amarela à volta das janelas.
Sobe o olhar, o número sete é reconfortante. Antes de entrar, aspira o odor de lenha queimada, adivinhando gente ao redor da lareira nas casas vizinhas. Cães ladram ao longe, salpicando o silêncio da noite.
No hall, o cheiro de plantas regadas. Abre a porta sem pressa. Pétalas de rosas secas fazem esquecer o silêncio da casa. Um pequeno corredor à direita e, outro que termina na divisão desejada.
Sem estilo definido, móveis com história de família, convivem com estantes repletas de livros que aconchegam. Do exterior da janela, adivinha-se a relva aparada. A cama, convida ao sonho desperto.
A enorme cama de tubo preto, lembrando ferro, enche o olhar da divisão. Ladeada de mesinhas de cabeceira com tampo de mármore, espelho, pés altos e compartimento onde, na geração anterior se colocava o bacio de porcelana, contam quase um século na família, assim como a cómoda castanha que juntas, há muito aguardam restauração a rigor. Na parede, sobre a cómoda, um espelho emoldurado, aproveitamento do roupeiro dos avós maternos que não resistiu ao passar dos anos.
Aos pés da cama, estantes com o mesmo tom, repletas de livros, uns ordenados alfabeticamente ou por temas, outros ao acaso.
A escrivaninha junto à janela, ocupa grande parte da única parede que dá para o exterior, onde o sol permanece até se esconder.
No canto oposto, a mesinha de chá, pertença da avó Alice, onde convivem fotografias de pessoas em momentos felizes.

F.A. Outubro 2009

5 de novembro de 2013

Ponto a Ponto

Odete - Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos

" Com o decreto de lei de expulsão das minorias muçulmana e judaica, em 1496 (logo no ínicio do reinado de D. Manuel I) e o encerramento das oficinas da comuna muçulmana de Lisboa, crê-se que esses mesmos mouros e judeus teriam migrado para Sul do território, historicamente mais tolerante a nível religioso, e se teriam fixado em Arraiolos e aí iniciado a produção de tapetes."

Odete tece tapetes desde os cinco anos, as suas mãos ágeis criam em nós a ilusão de que é simples e rápido. Mas não é. Muita técnica e arte. Pergunto o que é mais difícil, responde sem desviar a atenção dos seus pontos: " as dores nas costas, mas habituamo-nos e quer-se fazer mais e mais para ver o resultado".


O Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, instalado no antigo hospital na Praça do Município, foi inaugurado a 29 de Agosto de 2013. Espaço museológico de exposição e informação sobre a história e as técnicas do tapete, valorizando e promovendo este património mundialmente conhecido.
Pode ser visitado de terça a domingo das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 19:00

Sem pontos com passos...

Igreja da Misericórdia
 
 Coreto

 Ermida de São Romão

Castelo de Arraiolos
















4 de novembro de 2013

Nostalgia



..." Tu és a folha de outono
voante pelo jardim
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão."

Cecília Meireles, in "Canção de Outono"

24 de outubro de 2013

Um dia de chuva

Jardim Diana - Évora

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"